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revista turismo gaúcho / edição 37

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ENTREVISTA/ LUIZ BARRETTO

Luiz Barretto: “A Copa do Mundo 2014 será o nosso grande desafio”

Julia Dantas

Luiz Barretto, ministro do Turismo

Luiz Barretto, ministro do Turismo

Luiz Barretto assumiu o Ministério do Turismo imediatamente após a saída de Marta Suplicy do cargo. Há três meses exercendo a função, Barretto vem seguindo as mesmas linhas políticas de seus dois antecessores. O cientista social por formação já integrava a equipe de Marta, tendo sido secretário executivo por dois anos. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, os investimentos a serem feitos no Rio Grande do Sul a partir do ano que vem e o impacto do sancionamento da Lei Geral do Turismo.

O senhor pretende dar continuidade às políticas de turismo instituídas pelo Ministro Walfrido dos Mares Guias e depois adotadas pela Ministra Marta Suplicy?
Uma grande vantagem do Ministério do Turismo desde a sua criação é a continuidade. Isto dá um grande avanço porque não há interrupção. Vamos dar seguimento a esse conjunto de políticas do Plano Nacional de Turismo que já está em sua segunda versão. Teve uma primeira etapa, que foi de 2003 a 2007, e agora já estamos na etapa 2007-2010. O turismo hoje não é apenas política de governo, é política de estado, com programas de políticas públicas e metas. Evidentemente, vão se incorporando outros desafios, mas em geral daremos continuidade aos trabalhos do ministro Walfrido. Eu fui secretário executivo da Marta Suplicy, então dou continuidade ao trabalho que eu já fazia com essa equipe.

Qual o grande desafio que o Ministério enfrenta no momento?
O grande desafio que vai pautar as preocupações do turismo nesse momento é a Copa de 2014.Vai ser uma grande chance, uma grande janela de oportunidades. Será um grande desafio, não apenas para o turismo, também para as áreas do esporte e infra-estrutura. Estive recentemente na China e vi como a China se aproveitou das Olimpíadas para se promover no mercado internacional, para dar um salto de qualidade na sua estrutura turística. Um evento dessa magnitude faz acelerar o processo de infra-estrutura e qualificação profissional, você ganha agilidade em processos que levariam muitos anos, normalmente. Já realizamos um convênio com a Fundação Getúlio Vargas, que vai trabalhar a competitividade nos 65 destinos indutores do Brasil que queremos preparar para um padrão de qualidade internacional até a realização da Copa. No caso do Rio Grande do Sul, há três destinos indutores que são a região de Bento Gonçalves, a Serra Gaúcha – Gramado em especial – e a região metropolitana de Porto Alegre. Há desafios na área de estrutura, seja em aeroportos, estradas, rede hoteleira e qualificação. Serão mais de meio milhão de turistas estrangeiros circulando nesses 30 dias, além dos próprios brasileiros. O diagnóstico que teremos com a pesquisa da FGV dará origem a um plano de ações que vamos debater com os prefeitos. E repetiremos essa pesquisa regularmente. Estou muito otimista.

Além da Copa do Mundo, quais são as outras preocupações do Ministério?
Temos desafios cotidianos, que é movimentar a cadeia do turismo nos períodos de baixa ocupação. Vamos dar continuidade a programas como Viaja Mais Melhor Idade, estamos investindo muito também na infra-estrutura, dando continuidade ao Prodetur Nacional, que é um fundo de investimento para realização de obras estruturantes. O Brasil vive um momento importante no seu turismo e uma grande oportunidade. A crise nos mercados americano e europeu gera uma oportunidade para o Brasil no verão, que é aumentar o fluxo de turistas no período. O dólar se valorizou frente ao real, o que impossibilitou que mais brasileiros viajem para fora, então incentivaremos o brasileiro a conhecer seu País. O senhor esteve recentemente em reunião com a governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius para discutir a revitalização do Cais do Porto, do Museu São José do Norte e a criação de uma rota de caráter histórico no Estado.

Como está o andamento destas propostas?
A gente tem uma parceria grande com o Rio Grande do Sul e com a Secretaria Estadual de Turismo. Estamos preparando o orçamento para 2009 e a bancada do Rio Grande do Sul se reuniu para fazer um conjunto de emendas que fortalecem o turismo no Estado, como a idéia do Cais, o Museu São José do Norte e a Rota que passará por locais de importância histórica como a casa onde nasceu Getúlio Vargas e os pontos importantes da Revolução Farroupilha. É um trabalho forte que estamos fazendo e espero que a bancada siga mantendo sua sensibilidade para o turismo e haja recursos para desenvolver projetos. De nossa parte, o Ministério continuará o fortalecimento de relações com o Estado e as prefeituras.

Que área deverá receber maiores investimentos no Estado?
Em volume de recursos, a área de infra-estrutura deve continuar recebendo mais, a gente tem investimentos maiores sempre nisso, mas temos também em eventos e promoção, porque é muito importante aparecer em feiras e, por último, na qualificação profissional. No Rio Grande do Sul, investimos de 2003 a 2008 quase R$ 180 milhões em turismo. Fecharemos o ano com mais de 60 milhões investidos no Estado porque é uma porta importante de entrada para o Brasil, é a porta de entrada do Mercosul.

Que balanço o senhor faz do programa Viaja Mais Melhor Idade desde sua criação até agora?
Começamos em agosto de 2007 com expectativa de emitir pessoas com mais de 60 anos a partir de São Paulo e Brasília para 15 destinos. Estamos terminando o segundo ano do programa já saindo de 12 capitais para quase 50 destinos. É um sucesso. Movimenta a cadeia num período de baixa, gera emprego e renda, mantém empregos em um momento difícil da economia. Há um grande entendimento com o trade, hotéis, operadoras, as companhias aéreas, todo mundo colabora com preços acessíveis. Já temos uma segunda versão que não é com pacote, é só com hospedagem para quem não quer comprar um pacote inteiro. Já temos dois mil hotéis cadastrados oferecendo 50% de descontos. É um programa que veio para ficar e vai melhorar a cada ano. Vamos ter outras modalidades de Viaja Mais, vamos entrar agora com os estudantes também nos períodos de baixa ocupação. Começamos no Acre e Brasília esse projeto com os jovens e expandiremos em 2009 para outros estados. Esse é nosso papel; fortalecer o mercado interno, especialmente fora do verão.

A companhia aérea Azul está prestes a começar suas operações. Como isto transforma o mercado aéreo brasileiro?
Para o consumidor é sempre positivo, já que resulta em mais concorrência e mais oferta de assentos. Além disso, Tam e Gol estão fazendo novos investimentos em aeronaves, e Webjet e OceanAir também estão expandindo. Por isso, 2009 será um ano com mais oferta e provavelmente preços mais baixos.

Como a Lei do Turismo vai transformar o segmento no Brasil?
Temos três grandes feitos no turismo nos últimos anos. Um é a criação do Ministério em 2003, outro são os Planos Nacionais de Turismo que dão um norte a programas de longo prazo, e completando esse ciclo a sanção da Lei Geral do Turismo que ficou durante alguns ano no Congresso e foi sancionada em setembro. Essa lei significa um grande salto de qualidade no turismo brasileiro. Faltava um marco regulatório que desse segurança aos investimentos privados, e que dará segurança tributária para quem trabalha com turismo. Além disso, ela institucionaliza o papel do Ministério e das secretarias estaduais e possibilita trabalhar certificações hoteleiras. Certamente o turismo de todo Brasil vai aproveitar e ter segurança para realizar negócios na área do turismo.






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