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revista turismo gaúcho / edição 37

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AVIAÇÃO

Azul agita o mercado aéreo brasileiro

Katiana Ribeiro

Azul promete serviços de qualidade e muitos descontos nos preços das passagens (Foto: Flávio Difini Leite)

Azul promete serviços de qualidade e muitos descontos nos preços das passagens (Foto: Flávio Difini Leite)

Preparada para assumir o posto de nova concorrente na aviação brasileira, a Azul Linhas Aéreas chega ao mercado com a promessa de serviços de qualidade e bastantes descontos nos preços das passagens. A nova empresa de David Neeleman, que também é o fundador da Jetblue, tem como foco atuar em trechos com vôos diretos em locais onde as atuais linhas aéreas só oferecem o serviço com escalas. No dia 4 de dezembro, a companhia recebeu autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para começar a operar as rotas Campinas-Porto Alegre e Campinas-Salvador a partir do próximo dia 15. Serão cinco vôos diários para cada trecho. Em 14 de janeiro, inicia os roteiros Campinas-Curitiba e Campinas-Vitória, com todos os vôos diretos, ponto a ponto. De acordo com a Azul, os preços das passagens devem variar a partir de R$ 219, para o trecho de ida e volta, nos bilhetes emitidos para o vôo Campinas-Salvador. Já no roteiro Campinas- Porto Alegre, o preço base será de R$ 159,00. Estes valores podem sofrer alterações de acordo com o horário, o dia da viagem e a antecedência com que a compra é efetuada. Além dos preços baixos, a nova companhia traz alto padrão no atendimento.

A convite da companhia, Turismo Gaúcho participou do Roadshow Azul, um vôo inaugural realizado em Porto Alegre, no dia 5, tendo a oportunidade de experimentar os produtos e serviços da Azul antecipadamente. O avião, modelo Embraer 190, sobrevoou a Laguna dos Patos por 50 minutos, confirmando a fama de ser uma das aeronaves mais modernas do mundo. Tanto a decolagem quando o pouso foi de baixo ruído. Entre as novidades, a Azul apresenta bancos de couro ecológico em fileiras com quatro assentos, dispostos dois a dois, sem as poltronas do meio. O espaço para as pernas também é maior, são 79 centímetros, e  até a quinta fileira funcionam as poltronas do “Espaço Azul” com um distanciamento ainda maior entre uma e outra poltrona. Ao todo são 106 assentos com monitores individuais. A partir do segundo semestre de 2009, os aviões terão TV ao vivo, com a programação de 35 canais. Outra inovação tecnológica é o dispositivo Head up Display, que permite ao piloto, por meio de uma tela, observar os principais comandos e permanecer com os olhos à frente do avião.

Como diferencial, a Azul terá duas opções de serviço de bordo como batatas fritas ou biscoitos doces e salgados em vôos curtos e seis tipos de snacks em vôos acima de 60 minutos que podem ser consumidos à vontade. Os carrinhos foram deixados de lado e a oferta vai incluir bolachas, batatas, wafers, amendoins, refrigerantes, chá, café, sucos, entre outros alimentos. A elegância e cortesia no atendimento são também destaques da Azul. A proposta dos uniformes assinados pela estilista Isabella Giobbi é trazer de volta os anos dourados da aviação brasileira. Toda a tripulação passou por um amplo treinamento para prestar atendimento de primeira qualidade aos clientes da empresa.

O presidente da Azul, Pedro Janot, e o diretor de marketing, Gianfranco Beting, apresentaram todos os detalhes durante o vôo de demonstração, ressaltando o serviço diferenciado, a segurança, as tarifas flexíveis e a atenção dedicada ao sul do País. Na ocasião, foi anunciado que a partir de 2010, mais cidades gaúchas integrarão os roteiros da companhia. “O povo gaúcho vai voltar a voar azul e não mais em vermelho ou laranja”, afirma Beting.

* Com reportagem de Flávio Difini Leite

ENTREVISTA: PEDRO JANOT/ PRESIDENTE DA AZUL LINHAS AÉREAS

Gustavo Faraon

Janot: “Vamos ver o apetite deles”

Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas (Foto: Divulgação)

Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas (Foto: Divulgação)

Poucas horas antes de dar boas-vindas aos convidados do Roadshow Azul, o presidente da companhia, Pedro Janot, falou com exclusividade a Turismo Gaúcho sobre os planos para o mercado aéreo brasileiro e a política de preços da empresa.


Como vocês esperam que a crise financeira internacional possa interferir nos primeiros passos da Azul?
Não temos como avaliar ainda se o mercado encolheu. Mas eu acho mercado continua, a oferta é menor que a demanda e, apesar da crise, a nossa estimativa é que o mercado cresça em torno de 6%. Então pra nós esse impacto realmente a gente não está preocupado neste momento. As nossas propostas de vôos com a Embraer estão firmes. A nossa com companhia é uma companhia que está nascendo e precisa de avião pra voar.

A Azul está perto de iniciar suas operações e as concorrentes Gol e TAM já começam uma política mais forte de descontos.
É, pois é, porque companhia aérea concorrente boa é companhia morta, certo? Então eles já começaram. Nós vamos divulgar hoje no nosso site os nossos preços. E aí realmente nós vamos ver o possível apetite de cada um deles pra defender o seu mercado ou matar a gente.

Vocês terão uma política de garantia de preços mais baixos que o dos principais concorrentes?

Nós temos preços mais baixos que o deles até a hora de divulgar os meus preços, aí num momento seguinte eles vão fazer tarifas completamente alucinadas. Nós não vamos acompanhar, nós não vamos destruir valor.

Pelas primeiras rotas anunciadas pela Azul, Campinas está sempre presente. A intenção da é fazer de Campinas um centro de operações?

Sim, nós vamos ter dois centros de operações: um no Aeroporto de Campinas e outro no Aeroporto Santos Dumont.

Já que São Paulo tem a maior demanda de vôos, a Azul terá um serviço de transporte terrestre pra ligar Campinas à capital paulista?
Sim, vai ser a ligação perto do Shopping Villa Lobos, passando pela Maginal Pinheiro, para levar os passageiros para Campinas. Esse serviço deverá começar a funcionar dentro de 15 dias.

Quais as perspectivas para rotas internacionais como planos de expansão?
Não, porque Campinas não tem serviço internacional e não temos nenhuma intenção de operar vôos internacionais. No curto prazo o nosso único objetivo é voar no Brasil.

Para o primeiro ano de operações da Azul qual a perspectiva da taxa de ocupação dos vôos?
O nosso “business case”, o nosso plano de negócios ele se sustenta com uma taxa de 55% de ocupação de ocupação. Esperamos exatamente isso.

Qual projeção do crescimento de rotas para o primeiro ano de operações da Azul?
A partir de agosto de 2009 estaremos voando para 22 cidades diferentes.

Todas regiões serão cobertas pelos vôos ou tem regiões que num primeiro momento serão mais beneficiadas?
Não, na realidade nós vamos voar as grandes capitais do sul do País; Campo Grande no Centro-Oeste; Salvador e Sergipe no Nordeste.






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